A Vitamina B12 pode ser considerada a estrela das vitaminas, tanto por sua importância quanto por sua excentricidade. Também chamada de cobalamina, tem uma estrutura química muito mais complexa do que as outras vitaminas, até a das suas companheiras do complexo B. Por exemplo, é a única que contém um elemento inorgânico – o mineral cobalto – como parte de sua composição.
Outra esquisitice: nenhuma planta ou animal é capaz de fabricá-la, apenas alguns micro-organismos como as bactérias podem produzi-la. Esses micro-organismos estão presentes em certos alimentos de origem animal como carnes vermelhas – principalmente o fígado -, frango, peixes, ovos e produtos lácteos. Portanto, os produtos de origem animal são fundamentais para garantir bons níveis de vitamina B12.
Depois de produzida, a Vitamina B12 ainda precisa ser aproveitada pelo organismo, e essa é mais uma tarefa complicada. “Para que seja bem absorvida, o sistema digestório deve estar em boas condições fisiológicas, com uma produção adequada de ácido clorídrico, enzimas pancreáticas e fator intrínseco”, explica a nutricionista Roseli Rossi, da Clínica Equilíbrio Nutricional (SP). Fator intrínseco é um tipo de proteína produzida exclusivamente pelas células do estômago e ajuda na absorção de nutrientes.
Embora a Vitamina B12 dê trabalho para o organismo, tanto na produção quanto na absorção, também oferece inúmeros benefícios, e seu papel para o metabolismo é fundamental. “Ela é essencial tanto para o crescimento quanto para a divisão celular. Além disso, essa vitamina atua principalmente na produção de eritrócitos (eritropoiese), aquelas células vermelhas do sangue”, esclarece a especialista Roseli.
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Além da participação da B12 na fisiologia normal do corpo, há pesquisas mostrando que ela pode também ter um papel importante no tratamento de algumas doenças. “Estudos indicam que altos níveis no sangue diminuem os sintomas de depressão“, afirma a especialista. Há também a comprovação de que níveis adequados de Vitamina B12 no organismo reduzem os episódios de asma em crianças. Para os idosos, a vitamina desempenha um papel ainda mais marcante. Um estudo realizado pelo Departamento de Fisiologia, Anatomia e Genética da Universidade de Oxford (GB), comprovou que os idosos que apresentam altos níveis de vitamina B12 são seis vezes menos propensos a apresentar diminuição no volume do cérebro. Portanto, a Vitamina B12 protege contra o que podemos chamar de “encolhimento” do órgão típico do envelhecimento, que leva à redução de certas funções cognitivas, como perda da memória.
Principais fontes da vitamina
Esses são os principais alimentos capazes de fornecer B12 ao organismo
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Alimento (110 gramas)
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Quantidade de vitamina B12 (mcg)
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Bife de fígado cozido
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112
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Marisco no vapor
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99
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Ostras cozidas
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27
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Ostras cruas
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16
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Bife de coração cozido
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14
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Arenque cozido
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10
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Truta cozida
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5
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Salmão cozido
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2,8
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Atum cozido
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1,8
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Iogurte
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1,4
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Leite desnatado
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0,93
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Queijo cottage
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0,80
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Ovo cozido
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0,49
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Frango cozido
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0,36
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A VitaminaB12 dá trabalho para o organismo na sua absorção, mas também oferece inúmeros benefícios
Carência a longo prazo
Se o corpo for privado durante muito tempo de Vitamina B12, vários efeitos negativos aparecem. Essa vitamina ajuda a controlar a quantidade da proteína homocisteína no sangue: se sua quantidade sobe, aumentam os riscos de doenças cardíacas, tromboses e enfraquecimento dos músculos do coração.
Outra consequência da falta de Vitamina B12 é a chamada anemia perniciosa, que produz sintomas como palidez, fraqueza e, em quadros mais graves, até lesões cerebrais.
O cérebro é especialmente afetado pela falta crônica de B12. A deficiência da vitamina pode causar a destruição de células neuronais, um processo conhecido como desmielinização. Isso provoca as neuropatias, como são conhecidas as doenças do sistema nervoso. Os sintomas mais comuns são formigamento nas pernas, queimação na sola dos pés, e também dificuldade para andar, bem como incontinência urinária.
Quem sofre com sua falta
Seguir uma dieta balanceada, na qual produtos de origem animal estejam presentes, é a melhor maneira para evitar a carência de vitamina B12. Mas algumas pessoas são especialmente vulneráveis à sua carência. O principal grupo conhecido é dos “veganos”, vegetarianos radicais que não consomem qualquer produto de origem animal, como já esclarecido, a única fonte natural desse tipo de vitamina.
Os vegetarianos menos radicais, que consomem ovos e lácteos, têm uma propensão menor à sua carência. “Sempre recomendamos que essas pessoas usem alimentos fortificados com B12″, diz o nutricionista Eduardo Fraccarolli Buriola, especialista neste tipo de dieta. Há no mercado vários produtos fortificados como leite de soja, cereais matinais e levedura de cerveja. “O consumo desses alimentos deve fornecer pelo menos 3 microgramas da vitamina por dia”. Em muitos casos, é preciso partir para uma suplementação: “Um suplemento oral de 5 microgramas por dia, ou de 2000 microgramas por semana é o indicado”. Nos casos agudos de carência – quando a dieta restritiva está associada a algum problema no organismo – indica-se a do tipo injetável, mas essa deve ser usada apenas com acompanhamento médico especializado.
Suplementar é preciso
“Os suplementos são úteis não apenas para aos ‘veganos’, mas para qualquer pessoa que sofra com a carência por alguma disfunção orgânica”, lembra Buriola. Além das cápsulas e injeções, há a versão sublingual, cujo objetivo é contornar problemas de absorção relacionados à fabricação de fator intrínseco. Colocada sob a língua, a vitamina é absorvida diretamente pelos vasos sanguíneos existentes no assoalho da boca.
Não existe na literatura pesquisas que mostrem que o consumo de outros alimentos aumente a absorção de B12. Mas o ácido fólico é importante. Os dois trabalham juntos na transformação e síntese de proteínas e na formação dos glóbulos vermelhos. E é bom saber que suas principais fontes são encontradas nos vegetais de cor escura.
Outra aliada da B12 é a vitamina B6, também envolvida no metabolismo das proteínas. “As duas trabalham juntas. Banana, salmão, fígado, abacate, manga e melancia contêm a B6″, diz Roseli. Quando se fala de nutrição, a palavra-chave é sinergia. Os alimentos agem juntos. Se apenas um deles faltar, todo o conjunto sofre. E sem B12 na dose certa, a sinfonia toda desafina.
| A falta que essa vitamina faz Além dos vegetarianos, outros grupos podem sofrer com a carência de B12 |
Idosos: 10% a 30% deles sofrem com alterações no estômago que diminuem a secreção de ácido clorídrico, fundamental para a absorção de B12. Além disso, a falta do ácido clorídrico faz com que cresçam na flora intestinal bactérias que consomem a vitamina, reduzindo ainda mais sua disponibilidade. Os idosos podem ainda sofrer com uma doença imunológica por meio da qual o organismo destrói as células do próprio estômago. Por isso é recomendado que pessoas acima dos 50 anos façam uso estratégico de suplementos ou ainda alimentos fortificados.
Pessoas com desordem gastrointestinal: quem tem doença celíaca, que é a intolerância ao consumo de glúten, ou doença de Crohn, uma inflamação crônica no intestino, apresenta dificuldade para absorver B12.
Quem fez cirurgi a bariátrica: os procedimentos que alteram o tamanho do estômago ou do intestino para redução do peso reduzem também o número de células que secretam ácido clorídrico e o fator intrínseco, tidos como fundamentais para a absorção da vitamina.
Grávidas e mulheres que amamentam: nos dois casos, o organismo das mulheres entende que a prioridade é o bebê. Então, no caso das gestantes, a B12 atravessa a placenta para alimentar o feto. E, na hora da lactação, grande quantidade dessa vitamina é liberada por meio do leite, o que pode levar o organismo materno à carência desse nutriente.
Consumo recomendado para todos
Quanto cada pessoa deve consumir, de acordo com a faixa etária. Confira!
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Idade
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Quantidade a ser consumida
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O a 12 meses
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0,4 a 0,5 mcg
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1 a 8 anos
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0,9 a 1,2 mcg
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9 a 13 anos
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1,8 mcg
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Maiores de 14 anos
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2,4 mcg
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Gestantes
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2,6 mcg
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Mulheres amamentando
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2,8 mcg
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fonte: revista viva saude – edição 107
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